|
A queixa de tontura é um dos
motivos mais comuns pelo qual os idosos procuram um serviço
médico. A incidência da tontura aumenta com a idade e pode
ser causada por diversas condições médicas, mas cerca de 45%
dos casos são devidos às disfunções vestibulares. A lesão
vestibular pode ser a mesma que no indivíduo jovem, mas os
idosos têm problemas diferentes daqueles exibidos pelos
jovens pelo seu próprio status de saúde.
O equilíbrio do corpo é mantido
por três pilares coordenados pelo nosso sistema nervoso
central (SNC).
Os três pilares do equilíbrio
são: o labirinto, a
propriocepção e a
visão.
Os
labirintos são sensores que nós temos nos nossos
ouvidos. Um para cada orelha. Cabe aos labirintos
informar ao SNC a movimentação e a posição da cabeça no
espaço. O SNC, ao receber as informações do labirinto,
passa a conhecer a posição da cabeça e com isso pode
produzir reflexos motores para o equilíbrio e a locomoção.
Se eu giro a minha cabeça para o lado direito, o meu SNC
fica “sabendo” que a minha cabeça girou para à direita, e
com isso vai contrair e relaxar determinados grupos
musculares para que eu não me desequilibre com esse
movimento .
A
propriocepção é a informação proveniente do
sistema proprioceptivo músculo-tendinoso. Ou seja, são
sensores existentes nos tendões e nas nossas fibras
musculares que analisam o grau de contração dos nossos
músculos. Essa informação somada a exteroceptiva
(tátil) chega ao SNC permitindo a análise da posição de
todas as partes do corpo, relacionando-as entre si, com a
direção da gravidade e com o plano de sustentação do
indivíduo.
A visão,
cujos sensores estão na nossa retina, ao trazer as imagens
do meio externo contribui para o sentido de orientação
espacial. Permite a percepção do ambiente que se
movimenta em relação à cabeça.
A estrutura do SNC importante em
coordenar as informações desses sensores chama-se cerebelo.
O SNC está continuamente
aprendendo e interpretando essas informações, adaptando-as
em várias situações (como em viagens de navio).
Graças a esses pilares podemos
estabilizar a imagem do ambiente quando fazemos movimentos
com a cabeça, podemos controlar o nosso equilíbrio quando
estamos em pé ou andando (postura e locomoção) e podemos nos
orientar no meio em que vivemos (orientação espacial).
Com o envelhecimento, ocorre um
desgaste natural destas estruturas e como conseqüência podem
aparecer as tonturas. Além disso, o idoso geralmente
apresenta outras doenças que podem comprometer o
funcionamento do sistema de equilíbrio corporal, agravando
as tonturas e predispondo às quedas. Por exemplo, com o
passar dos anos ocorre uma redução no número de células
ciliadas das estruturas labirínticas e também uma diminuição
de neurônios vestibulares e essa condição pode ser agravada
por doenças vasculares, metabólicas, neurológicas ou por
efeito de determinados medicamentos.
A acuidade visual, a capacidade
de acomodar a visão e a perseguição uniforme normalmente
declinam com o envelhecimento. Além disso, os idosos podem
ter distúrbios oculares como catarata, glaucoma e
degeneração macular que aumentam o comprometimento da visão.
Estas alterações podem interferir na manutenção do
equilíbrio corporal e dificultar a adaptação depois de uma
lesão vestibular.
Alterações propioceptivas também
ocorrem com o envelhecimento. Dificuldade para sentir a
vibração, redução na capacidade de detectar o movimento
passivo do pé e o aumento no tempo de reação do membro
inferior são constantemente observados no idoso, além da
diminuição da sensibilidade do pé. O diabete é uma das
condições mais comuns nesta população, causando mudanças na
somatossensibilidade distal e na visão.
Deste modo, as mudanças
fisiológicas normais associadas ao envelhecimento do sistema
vestibular, da visão e da propiocepção podem comprometer as
condições de equilíbrio. Essa situação pode ser agravada por
problemas comórbidos que freqüentemente existem entre os
idosos predispondo-os a queda e a todas as suas
conseqüências. Portanto, as medidas preventivas de queda
associadas a um adequado tratamento médico das doenças que
interferem no equilíbrio corporal podem melhorar muito a
qualidade de vida do idoso, oferecendo-lhe maior segurança
nas suas atividades diárias.
Novo
aparelho usa realidade virtual para reabilitar distúrbios
equilibratórios. Um novo aparelho que utiliza
realidade virtual para contribuir na identificação das
manifestações relacionadas com o desequilíbrio encontra-se
disponível. Ele faz uma clara avaliação das condições
equilibratória, por meio de um exame chamado posturografia,
que neste caso analisa mais amplamente do que os congêneres,
uma vez que identifica os conflitos sensoriais, por meio de
estímulos múltiplos, simultâneos.
Uma vez tratada a causa do
distúrbio equilibratório, o paciente passa por um processo
de reabilitação do equilíbrio, que neste caso, é ao mesmo
tempo prático, sofisticado, e focado para as alterações
específicas de cada paciente. Tem portanto ampla aplicação
no tratamento de seqüelas que geram distúrbios
equilibratórios, e igualmente uso amplo na prevenção de
quedas principalmente em idosos.
O aparelho que recebe estímulos
emitidos por um óculos 3D foi batizado de Unidade de
Reabilitação Vestibular (BRU, sigla em inglês). Ele recria
estimulações e situações do dia-a-dia que provocam
desequilíbrio, como por exemplo, descer e subir escadas,
andar em lugares desnivelado, movimentos bruscos, etc. Todo
esse procedimento tem por objetivo relatar como está o
equilíbrio do paciente. E contribuir para a sua
reabilitação. “Estamos usando este recurso a pouco tempo,
porém nossa visão atual, é que o recurso é muito produtivo e
vai ter e manter um espaço dentro da reabilitação desse
quadro de desequilíbrio”, afirma o Dr. Luiz Lavinsky, o
primeiro médico a utilizar o BRU no Brasil.
O aparelho que começou a ser
usado no Brasil recentemente vem gerando resultados
satisfatórios. “Embora o número de pacientes ainda não seja
expressivo, estamos alcançando resultados, de maneira muito
mais palpável e mais rápida do que o habitual, gerando uma
motivação visível nos pacientes e nos profissionais
relacionados com estes pacientes”, relata Lavinsky.
O BRU é constituído de um óculos
3D que emite estímulos, uma plataforma que registra o nível
de instabilidade postural e de um computador.
Na primeira etapa com o uso do
sistema de realidade virtual, são identificadas as condições
nas quais o paciente esta mais sujeito ao desequilíbrio, e,
por conseguinte sujeito a quedas.
Na segunda etapa do processo o
paciente recebe estímulos, através do sistema emissor de
imagens virtuais (espécie de óculos), que recriam as
situações que causam tontura ou vertigem, e portanto
propiciam uma efetiva reabilitação. |