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Cresce no
mundo o investimento em pesquisas que buscam evidenciar a
conexão entre infecções, inflamações crônicas e certos tipos
de câncer. Com a doença posicionada como a segunda causa de
mortes no planeta e o crescente custo dos tratamentos,
detectar fatores exógenos ligados ao seu aparecimento e
desenvolvimento tornou-se vital para se reduzir a
mortalidade. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde,
serão 9 milhões de óbitos em 2015”, descreve Dr. Murilo Buso,
diretor do Centro de Oncologia e Hematologia de Brasília (Cettro).
No caso das
infecções, duas já têm ligação mais que evidente com o
câncer. “Sabemos que o Papiloma Vírus Humano (HPV) e o vírus
da Hepatite B estão diretamente vinculados à incidência de
tumores de colo de útero e hepatocelular, respectivamente.
Para se ter uma idéia, 99% dos diagnósticos de colo de útero
estão ligados ao HPV”, comenta Dr. João Nunes, chefe do
Serviço de Oncologia e da Residência do Hospital
Universitário de Brasília.
Os estudos
clínicos e epidemiológicos não param por aí. A bactéria H.
Pylori, que provoca gastrite, demonstra ter papel de peso na
incidência do carcinoma gástrico e infecção crônica causada
pelo parasita Schistosoma pode estar conectada ao câncer de
bexiga.
Inflamações Perigosas
– Pesquisas sugerem que inflamações crônicas estão
vinculadas à iniciação tumoral – processo no qual células
normais são geneticamente alteradas, tornando-se malignas; à
promoção – quando pequenos conglomerados de células doentes
são estimuladas a crescer; e à progressão – quando os
tumores tornam-se mais invasivos. “As inflamações afetam a
atuação da citocina, importante mediador celular ligado à
defesa do organismo”, comenta Dr. Buso.
Há fortes
indícios de que o abuso de álcool, que conduz à inflamação
do fígado e do pâncreas, está ligado à formação de cânceres
em ambos os órgãos. O tabagismo, por sua vez, está associado
a inflamações nas vias respiratórias e a mais de uma dúzia
de tipos de tumores.
Ação e Reação
– Conhecer os fatores-causais externos do câncer é parte da
estratégia de combate à doença. “A partir de constatações
científicas, definimos mudanças de hábitos que visam
proteger o indivíduo da doença, como é o caso do uso de
álcool e tabaco”, enfatiza Dr. Murilo. No caso das
infecções, a boa notícia pe que as vacinas já provaram ter
força na luta contra a doença. “Nações que adotaram a
imunização contra Hepatite B, já verificam a redução da
incidência do câncer hepatocelular. A expectativa é de que a
vacina anti-HPV demonstre, em alguns anos, o mesmo
resultado”, conclui Dr. Buso. |