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Todo mundo tem suas manias: verificar se o gás
está mesmo desligado, somar os números da placa do
carro da frente, organizar certos objetos com
simetria e por aí vai... Já as manias compulsivas,
como lavar as mãos a toda hora, apagar e acender
luzes, trancar portas várias vezes ou manter
objetos sempre alinhados, indicam a existência do
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). “O
Transtorno Obsessivo-Compulsivo é um distúrbio de
origem genética que não afeta o raciocínio ou as
habilidades físicas do paciente, mas compromete a
auto-estima destas pessoas”, afirma a psicóloga
Adriana de Araújo, especializada no tratamento de
fobias.
O TOC é uma
doença crônica, mas que pode ser controlada. “Como
o próprio nome sugere, ela é determinada por
comportamentos obsessivos e compulsivos”, diz
Adriana de Araújo. A obsessão pode se manifestar
de várias formas, por exemplo, a idéia de que uma
prateleira precisa estar com os objetos alinhados
para estar arrumada e a compulsão, que é a
iniciativa de ajustar a posição dos enfeites toda
vez que um deles sai do lugar. “Motivado por uma
sensação de alívio imediato, o indivíduo fica
refém do pensamento e não consegue conter o
impulso de agir de forma repetitiva”, diz Adriana
de Araújo, autora do livro
O Segredo Para
Emagrecer.
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo pode surgir por
fatores genéticos ou, então, fatores externos,
como o estresse, a morte de alguém ou eventos
marcantes. Embora usualmente apresente seus
primeiros sintomas por volta dos 14 ou 15 anos no
sexo masculino e na faixa dos 25 aos 35 anos no
feminino, pode também ter início na infância. E
costuma apresentar características semelhantes nas
diferentes faixas etárias.
Em relação às crianças, pais e professores devem
prestar atenção a sinais específicos, como medo
persistente de doenças; demora na realização das
tarefas escolares por causa da necessidade de
apagar constantemente os exercícios já feitos;
inflexibilidade e rigidez nas brincadeiras; e
ritual diário de higiene repetitivo e exagerado. A
identificação é de suma importância, já que os
crianças e adolescentes nem sempre conseguem
verbalizar seus sentimentos. Entre 30% e 50% dos
adultos com o distúrbio iniciaram o quadro na
infância. “Em média, o tempo entre o aparecimento
dos primeiros sintomas e a procura de tratamento é
de 10 anos, o que pode ser ruim para o indivíduo,
uma vez que a criança passa a se sentir culpada
por irritar as pessoas com hábitos incomuns, que
chegam a comprometer as tarefas escolares e
domésticas”, afirma Adriana de Araújo.
É possível tratar
As pessoas com
diagnóstico de TOC têm um largo espectro de
medicamentos, prescritos de acordo com a gravidade
do quadro. São basicamente antidepressivos em
doses maiores do que aquelas utilizadas para
depressão. “O tratamento também inclui a
psicoterapia. A terapia comportamental trabalha o
TOC em duas frentes. Na primeira, trabalham-se os
rituais propriamente ditos. O terapeuta mostra ao
paciente a falta de sentido em pensamentos
obsessivos como, por exemplo, a idéia de que ligar
e desligar a luz cinco vezes evitará a morte de
alguém. O paciente deve se conscientizar de que os
rituais decorrentes desta obsessão não têm razão
de ser”, explica a psicóloga.
Segundo a
psicóloga, “o paciente deve evitar ao máximo os
rituais para não alimentar obsessões. É difícil
não ceder a essa urgência, por isso insistimos em
novas habilidades sociais para substituir os
pensamentos obsessivos e os comportamentos
compulsivos", diz.
“O problema é que
não repetir o comportamento ou pensar sobre ele
gera ansiedade. Eis, então, a segunda fase da
terapia: ensinar a pessoa a lidar melhor com a
sensação ansiosa causada pela ausência da
repetição”, explica a psicóloga. Nos casos de TOC,
com o tratamento combinado (medicamento e
psicoterapia), durante um a dois anos
ininterruptos, o portador da doença tem mais
chances de não apresentar recaídas. |